[Resenha] A Quarta Filha

A Quarta Filha
Título Original: The Fourth Daughter
Autor(a): Lyn Liao Butler
Editora: Faro                                   Páginas: 256
Lançamento: 2026                          Ficção histórica, Romance
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
 ||Compre|| ||Skoob||  ||Goodreads|

 

 

O LAÇO ENTRE AVÓ E NETA TORNA-SE UM CAMINHO DE CURA PARA AS DUAS MULHERES EM UMA EMOCIONANTE SAGA FAMILIAR. Liv Kuo é uma chef de cozinha em ascensão em Nova York… até que um trauma devastador a aprisiona dentro do próprio apartamento em Manhattan. O único chamado capaz de tirá-la da paralisia vem do outro lado do mundo: um pedido urgente de Ah-Ma, sua amada avó que vive em Taiwan. Ah-Ma precisa da ajuda de Liv para desvendar um segredo guardado por mais de sessenta anos — encontrar a quarta filha, uma tia que Liv nem sabia que existia, arrancada de seus braços ainda bebê. A missão parece impossível. Ao chegar a Taiwan, Liv mergulha no passado doloroso da avó, marcado pela época da lei marcial. Enquanto revive as escolhas difíceis de Ah-Ma e sua busca incansável por uma menina desaparecida, ela se deixa guiar pelos aromas, sabores e tradições que sempre uniram a família. Entre as páginas de um antigo livro de receitas e pistas esquecidas pelo tempo, Liv desenterra uma traição devastadora que abala tudo o que acreditava sobre suas origens — e que pode conter a chave para curar suas próprias feridas. Uma jornada profunda sobre as marcas invisíveis que carregamos, os segredos familiares e o poder transformador das tradições. Às vezes é preciso percorrer longos caminhos para finalmente se sentir em casa.

Liv passou por um grande trauma no trabalho e, desde então, não consegue sair de casa. Já são dois meses confinada. 

Durante uma chamada de vídeo com a avó, Ah-Ma pede à neta que a ajude a encontrar sua quarta filha.

A princípio, Liv acha que a avó está divagando por causa da idade, mas, ao pedir mais detalhes da história, percebe que não é bem assim.  Ah-Ma teve a filha levada embora ainda criança e, durante mais de sessenta anos, manteve a esperança de encontrá-la. A certeza de estar perto, surge quando vê, no mercado da cidade, uma mulher com a mesma marca de nascença da filha.

Comovida com o drama da amada avó e sabendo que também precisa mudar de ares, Liv deixa Nova York e parte rumo a Taiwan para mergulhar nessa busca, sem imaginar que essa jornada seria, para as duas, uma oportunidade de cura e recomeços.

O primeiro livro da autora que li foi um suspense e, nesta nova obra, ela muda totalmente o foco, entregando um drama intenso que abrange três gerações de mulheres.

A narrativa transita entre passado e presente, mostrando ao leitor não apenas a história dos personagens, mas também a do povo de Taiwan e a forma como foi oprimido pela ditadura. Lutar pela liberdade e defender seus ideais, muitas vezes, podia levar à execução.

Há momentos de violência presentes na trama, assim deixo o alerta de gatilho. 

Eu gostei bastante da história, não apenas pela curiosidade de saber se Ah-Ma finalmente encontraria a filha, mas também por todo o lado cultural e social que a autora insere na trama. Foi muito interessante conhecer mais da culinária do país pelos olhos de Liv, que era chef de cozinha, mas, acima de tudo, fiquei impactada com a situação política da época em que Ah-Ma era jovem e com a forma como as mulheres viviam sem liberdade e sem poder fazer suas próprias escolhas.

Ah-Ma foi uma guerreira, e a dor que carrega pela perda da filha nos atinge de uma forma que salta das páginas e comove. O passado, com foco na trajetória dela, acaba roubando a cena. Por mais que a história de Liv seja interessante, não supera a da avó.

É uma história envolvente, cheia de amor, com um excelente panorama histórico e muito humana. Uma trama que enaltece as relações familiares. Eu não conheci minhas avós e acabei me sentindo ainda mais cativada por Liv e Ah-Ma, tão próximas e cúmplices.

Eu amo histórias que me apresentam novos povos e diferentes culturas, me sinto uma exploradora nessas horas. E essa obra me fez viajar por lugares e conhecer histórias ao longo de décadas. Foi uma experiência incrível e que recomendo!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por seu comentário.

Sua participação é muito importante.

Um grande beijo!